domingo, 15 de abril de 2012

"Impressões" - Momento Inesquecível


Estudos diários, bateria, harmonia, aulas, arranjos, ensaios, grupos, workshops, shows, divulgação, carregar bateria, percussão...
Às vezes eu paro, olho e penso "que trabalho!" Depois de mais de 20 anos nessa trilha eu percebo que todo esse trabalho faz sentido quando toco um som bonito ou gravo algo que vai deixar marcas nos músicos e agradar apreciadores de música em geral.

Não é todo dia, claro, mas quando a música é boa e com músicos afins tudo parece mais claro e somem as dúvidas no ar. Não há um estilo definido, mas preferências pessoais, coerências musicais nas escolhas das notas e ritmos, na cor dos acordes e nas texturas que se criam. O CD "Impressões", com Sergio Rossoni Grupo foi um desses momentos especiais e que ficou gravado para ser ouvido, curtido e que sempre me leva àqueles meses de preparação, profunda amizade entre os músicos e resultados musicais que ficaram bons, com alma. Tudo tocado muito ao vivo, todos juntos, dois ou três 'takes' de cada música.

O CD nasceu a partir do encontro entre o fotógrafo Ricardo Burg com Sergio na exposição "Encontros com Brasil". Burg viajou 11 meses fotografando por todo o país e Sergio compôs cada música inspirada em uma seleção de fotos temáticas. O encarte com as fotos faz parte da obra, as composições guardam uma unidade em diferentes ritmos e uma atmosfera que se mantém das primeiras as últimas notas, um trabalho muito inspirado do  Sergio Rossoni (foto ao lado) nas composições e guitarra. 
No CD, Marcelo Mainieri, baixo, José Pena, flauta, Léo Mitrulis, piano e eu na bateria e percussão.


Selecionei três músicas para você que acompanha meu blog. 
Um abraço,
Sergio

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Nos Bastidores dos Tambores


Encontrei um filmagem feita algum tempo atrás por um amigo, Daniel, que na época era meu aluno. Ele costumava ir aos shows do meu quinteto com uma câmera e filmava para que depois pudéssemos assistir, comentar e também porque ele curtia 'filmar'. Nesse vídeo abaixo, ele ajeitou a câmera ao meu lado, de forma que só dá para me ver e, às vezes, um pouco o Robertinho Carvalho, no baixo.


O resto da banda pode ser ouvida, claro, e sentida através das minhas expressões, pelo modo como reajo (ou não) ao que eles estão propondo musicalmente. "Eles" são Moisés Alves, piano, Vitor Alcântara, sax soprano e Anderson Quevedo, sax alto. Grandes músicos/amigos e que me desculpem pela ausência de suas imagens. A música é "Cidades Imaginárias" e nenhum nós se lembrou da câmera, então é tudo muito espontâneo.

Para os bateristas, há diversas levadas de baião que faço no Hi-hat, pratos (cymbals), agogô com mão direita, ambas as mãos na caixa (snare drum), movimentação do chimbal (Hi-hat) e cowbell com o pé esquerdo e diferentes 'fills'. Depois de conhecer a música, seu tema e motivos, observem que desenvolvo o solo inicial sobre o motivo central do tema.
Nos bastidores do tambores, aquele área que o público quase não vê, concentração nos solos, convenções, nos músicos e em como contribuir para que a música fique sempre mais bonita de se ouvir.



sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

"Medusa" - Música e Grupo


O samba que você está ouvindo agora (player acima) chama-se "Medusa" e compus inspirado pelo trabalho do grupo  instrumental brasileiro de mesmo nome e que foi muito importante no começo dos anos 80. Com Amilson Godoy, piano, Claudio Bertrami, baixo, Chico Medori, bateria, Heraldo do Monte, guitarra, Théo da Cuíca e Jorginho Cebion, percussão, em sua primeira formação, o grupo  produzia um som moderno, brasileiro, com muitas convenções e seções para solo de todos os integrantes. 

Em 1981 lançou seu 1º disco, "Medusa" e, em 83, sem Jorginho e com Olmir Stocker na guitarra, o grupo lançou "Ferrovias", seu segundo e último disco. A cuíca de Théo dobrava melodias em certas seções e era uma presença marcante no som do grupo. Inspirado por ela e por todo som que esses grandes músicos produziram naquela ocasião, compus "Medusa" que está em meu CD solo "Cidades Imaginárias" (disponível para compra online: http://www.cdbaby.com/Search/Y2lkYWRlcyBpbWFnaW5hcmlhcw==/0 ) dedicado ao grupo. Para ouvir o grupo Medusa: www.myspace.com/grupomedusa

Na música, o contra-baixo toca a frase de 'centro', que tanto funciona como 'introdução', como base sobre a qual toda a parte 'A' da música foi desenvolvida. Trata-se de um ostinato (frase ou célula musical que se repete) que foi desenvolvido a partir de uma frase de samba da "velha guarda da mangueira" e que depois percebi ser também uma frase tética e tradicional  de samba, como um telecoteco enxuto, com menos notas duplas, começada com antecipação de uma semicolcheia. 
Abaixo você pode ver a frase com antecipação (1) e a frase de samba tética (2). É legal pensar sobre e se divertir com esse deslocamento tocando em seu instrumento.

Abaixo e a direita a frase melódica do baixo em Cm (Dó menor) numa composição que caminha para EbM (Mi bemol maior) na parte 'A' e que usa exatamente o ritmo da frase antecipada.

Na cuíca, o percussionista "Ligeirinho", que tocou a cuíca solo e outros instrumentos de samba na seção de solo de flautas (aguda em C, Celso Marques; grave em G, Mário Aphonso III) + percussão + bateria, sem harmonia, só a conversa melódica entre as flautas e o ritmo. No baixo, Robertinho Carvalho, piano, Moisés Alves e eu na bateria e percussão.  O contraste proposto entre as as partes A (em modo menor sobre o ostinato do baixo com bumbo só no 2º tempo) e B (modo maior em samba mais solto) somado às longas seções de introdução com cuíca solo dão a composição cores e climas diferentes.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Telecoteco - "Tipo uma Clave"

...Continuando o papo via facebook com meu amigo Geraldo, de Chicago.


  • Oi Sergio, agora vi sua resposta... vou pesquisar... maravilhosa sua explicação e, mais ou menos, o que eu pensava. Por já morar nos eua por mais de 30 anos, estou bem familiarizado com a música cubana, e sei muito distinguir as diferentes claves (3/2 e 2/3). Quer dizer que no Brasil poderíamos considerar o teleco teco como um tipo de clave e, a exemplo da música de Cuba, ele poderia começar tanto com anacruse quanto na cabeça do compasso (1º tempo), dependendo da melodia, certo?? Abraço.


    Oi, Geraldo, tudo bem?

  • Sim, eu acredito que podemos pensar no telecoteco como um "tipo de clave", uma linha guia definida pelo ritmo da melodia e que gera a tipologia de frases a serem tocadas. Começar na cabeça ou uma semicolcheia depois e a consequente inversão de frases é decisiva, como você bem sabe. 

    A música começar com anacruse ainda não define a frase, como nos exemplos que dei na postagem anterior, ambas a partir do impulso (Arsis) do ritmo, que chamamos anacruse, mas "Samba de Uma Nota Só" confirma a cabeça do tempo e "Piano na Mangueira" antecipa a entrada em uma semicolcheia, uma colocação tão clássica no samba (tocado com mais liberdade), como o '4e' do Jazz.
    É preciso ouvir e sentir como a melodia caminha. Para um músico com sua experiência, isto é super natural, e acredito que para sua aulas, esse conceito pode ser bastante útil.

    Uma última colocação é o que uma melodia que começa depois do 1º tempo, chamada de ritmo Acéfalo (nome horrível!), tende a configurar o telecoteco invertido, off the beat, "carioca", ou simplesmente telecoteco. Um bom exemplo é "Folhas Secas", de Nelson Cavaquinho, para o qual fiz arranjo para Big Band que você pode assistir abaixo.
    Big da Fundação das Artes de São Caetano em apresentação na Faculdade Santa Marcelina, em outubro de 2011. Repare que o pandeiro começa e em seguida o tamborim toca o telecoteco começando na 2ª semicolcheia,  após o 1º tempo, assim como a melodia. Tivemos Mário Chechetto como convidado no sax tenor.
    Grande abraço,
    Sergio

    domingo, 22 de janeiro de 2012

    Telecoteco por email - Para pensar e tocar


    Recebi esse email semana passada e achei interessante trazer ao blog a conversa sobre o tema.
      
    Oi sérgio, tudo bem? Feliz ano novo!
    Aqui escreve Geraldo de Oliveira, percussionista de Belo Horizonte radicado em chicago desde 1975.
    Gostei muito do seu livro "new ways of brazilian drumming".  Muito bom mesmo!
    Tenho uma pergunta pra você. 
    Já há vários anos venho ensinando percussão de 






    samba nos EUA e uma das frase rítmicas que mais me intrigam é o famoso teleco teco. Veja em anexo uma folha que criei para meus estudantes (trecho reproduzido abaixo). Nela explico com detalhes como funciona o teleco teco nas escolas de samba, com a famosa introdução especial seguida da frase rítmica.

    Observei no seu livro que você escreve o teleco teco da forma que a gente aprende e canta, com as duas colcheias no primeiro tempo do compasso, ao invés da síncope iniciada com a pausa de semicolcheia (no seu caso terceiro tempo do compasso).
    Você poderia me explicar a diferença?  Estou um pouco confuso com a notação musical correta, pois já encontrei das duas formas em várias publicações. O pessoal das escolas de samba juram que estão certos, inclusive meu amigo Mestre Odilon.
     Agradeceria muito qualquer ajuda que pudesse prestar nesse sentido.

    Obrigado,
    Geraldo.

    Oi Geraldo,
    Por aqui tudo bem e espero que com você também.
    Fico muito feliz que você tenha gostado do livro e que ele esteja sendo útil em seu trabalho.
    Li o que você me enviou e vi o que chamo de telecoteco invertido, caracterísco do samba carioca, das canções de compositores como Paulinho da Viola, Nelson Cavaquinho, Cartola e tantos outros.
    Não é possível e nem interessante generalizar que o "samba carioca é assim e o samba paulista é deste outro jeito", mas em diversas composições de Adoniran Barbosa, grande expoente do samba paulista, o telecoteco é tético, começa na cabeça do tempo, e isso é definido pelo ritmo da melodia e  reforçado pelo movimento do bloco harmônico. Ouvindo sambas de um mesmo compositor como Tom Jobim é possível perceber o movimento de uma ou outra frase como matriz, não necessariamente executadas na íntegra. "Samba de uma Nota Só" é um bom exemplo de uma frase que inicia e cadencia para a cabeça do tempo (on the beat) e "Piano na Mangueira", um samba "carioca" clássico (off the beat). 

    Em conversa com Oscar Bolão, ele me disse que quando você simplesmente tenta encaixar uma levada num samba que pede a outra, você tende a mudar naturalmente, ou soa literalmente 'atravessado'. Ele está certo, claro, mas segue a questão de qual das duas é o telecoteco?
    As duas, na minha maneira de ver. Ao lado o telecoteco e o telecoteco invertido e abaixo duas outras frases que estabelecem a mesma relação de "inversão". 
    Pode ser questionado? Sim, mas não acho muito produtivo. O fato é que há diferentes tipos de samba mais característicos dessa ou daquela área com seus diferentes estilos. 
      
    Um paralelo com as claves latinas pode ser ilustrativo. Qual a rumba clave original, 3-2 ou 2-3?
    *A son clave mais clássica é a 3-2, que tem a frase quaternária (normalmente escrita em dois compassos de 4) começando na cabeça do 1º tempo, típica do bolero e usada no samba canção desde os anos 50 na música brasileira. Em geral, a tética tende a ser referência para sua inversão.
    *Perguntei a Horácio Hernandez como saber qual das claves usar e ele pôs o dedo no ouvido, respondendo com o gesto que 'só ouvindo' para sentir e saber o que tocar.

    Só pra finalizar, conheço e uso o "Batuque Carioca" do mestre Odilon e tenho grande respeito por ele, que é uma autoridade no samba. Isso não está em discussão de maneira nenhuma.
    De qualquer forma, há áreas de imprecisão na 'academização da cultura popular'. Conhecê-las e seguir pesquisando é o mais legal, pois podem surgir novas ideias musicais, para tocar, compor e arranjar.

    Meu site (www.sergiogomes.com) abre com um solo sobre o 'telecoteco invertido' com a 'clave da bossa' nova no pé esquerdo... Nossa quanta terminologia, né não?
    Espero ter ajudado e um feliz 2012 para você também.

    Abraço,
    Sergio 

    sábado, 31 de dezembro de 2011

    Chuva no Amazonas - Frases de água



    Frases que se movimentam e se definem ao fazê-lo, como se perpassando afluentes desenhassem curvas influentes - ao se influenciarem incessantemente – construindo mapas de regiões quentes e exuberantes... Se duas, três ou cinco, as escolhas se escolhiam por acerto, beleza e prazer em prosseguir o que fora iniciado muitos (com)passos antes, quando já a consciência da unidade era absoluta, apesar das características particulares de cada nota, sua altura, duração e significado em cada momento.

    Chuva no Amazonas (player acima) é uma canção de compassos que se alteram com frequência muito menor do que mudamos de ideia e organizados como um discurso literário, que não tem tempo definido com critérios musicais, mas que tanto caminha, quanto respira, tal como falamos ou contamos uma história para alguém. Ela surgiu como alma musical do poema (abaixo) de mesmo nome que escrevi  e que é recitado ao fim do arranjo pela cantora Sandra Ximenez, a única e necessária presença feminina no CD Cidades Imaginárias.
    A primeira exposição é feita por Antônio Barker, super pianista convidado e amigo querido que tem o hábito de tocar trilhas sonoras de sonhos. No baixo, Robertinho Carvalho, grande músico, arranjador e o parceiro que todo baterista quer ter: seguro, musical, ouvido atentos e sempre feliz ao tocar com você. A flauta é precisa, inspirada e muito bem tocada pelo amigo, compositor e arranjador, Celso Marques.


    ...Chove no rio Amazonas...
    A canoa flutua n’água
    deslizando’índio e a
    preguiça das nuvens
    descansa nu’spelho
    doce das águas
    Envelhecid’a manhã
    move-se lentamente
    como uma baleia
    gigantesca...
    Enquanto o remo deixa
    seus rastros na bruma
    gotas de musgo
    escorrem pelo peito
    nu’esverdeado
    I’nda longe
    o porto de Manaus
    Além de peixe
    o som do amazonas
    como um mantra equatorial...


    Chuva e rio s’encontram
    e como nunca separados
    cada gota
    traz o amazonas inteiro
    de
    volta
    pra
    casa... 

    quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

    Música é meu ofício - Pessoas, minha paixão maior

    Trabalhar com arte é, de fato, algo muito especial e o artista, eventualmente, tem a impressão de fazer contato direto com a 'fonte de onde tudo vem'. Parece que as pessoas em suas diversas ocupações nem mais, nem menos importantes, podem se entediar mais facilmente e se desencantar de seus ofícios. Mas a música é um presente para todos e, por vezes, são os músicos que se cansam de trabalhar em situações que não lhes agradam, porque há contas a serem pagas, filhos a serem cuidados, novos instrumentos comprados, manutenção a ser feita...

    Trem NY- Matawan, dez.
    Música - com toda sua magia - é meu ofício e através dele procuro desenvolver meu espírito que vai seguir viagem quando este corpo se cansar, como tudo que é físico e tão sólido quanto um pensamento.
    Antes dos meus sonhos musicais e dos meus planos profissionais, estão as pessoas que amo e que me são muito caras. Aqui uma coleção de fotos de algumas delas, de momentos de trabalho e de viagens que fiz neste ano de 2011. Há pessoas queridas que não estão nas fotos como  Carlos Ezequiel, Christiano Rocha, Paulo e Paola Tiné, Sandra Ribeiro, Vera Cury, Bob Wyatt, Ricardo H., Suzana Fleury, Sidney Molina, Luis Otavio, Claudio Tegg, Carlinhos Antunes, Renato Consorte, Jeff Kunkel, David Damsey, David Richards, a turma do Sergio Rossoni Grupo, do grupo Terra Brasil e outras mais que eu gostaria de colocar nesse mural... Bem, eu coloco no próximo.

    Big Band da Fundação, Teatro da Vila, junho

    Meu irmão tentando me convencer de algo... sempre!
    1ª geração de sobrinhos, Daniel e Renata


    Lauro Lellis, eu, Maurício Leite e Leandro Lui

    Caribe ao fundo, montando set para show, abril


    Sobrinhas, janeiro, São Sebastião
    Felix, meu irmão alemão. 

    Vive em NY... Dá pra imaginar as saudades?
    Família, agosto, SP
    Parece comigo e mesmo assim é linda... Inexplicável!!! NY, Dezembro
                                                                                                                                                                               Grande abraço, um ano novo muito bom para você e todos ama, Sergio
                         

    sexta-feira, 25 de novembro de 2011

    Frevo Pé Trocado - 7/8 (4+3)



    Foto da gravação do CD
    O frevo é um gênero musical           natural de Pernambuco e nasceu do desafio musical entre bandas marciais no princípio do século XX. Com o tempo surgiu um estilo de dança que faz parecer que abaixo dos pés das pessoas exista uma superfície com água fervendo. A palavra frevo vem de ferver ("frever") sob os pés ou a impressão que dá o desfile visto de longe, no calor do nordeste brasileiro.

    Este estilo pernambucano de carnaval é um tipo de marchinha bastante acelerada em geral sem letra - ao contrário de outras músicas carnavalescas - sendo tocados por uma banda de sopros, metais e saxofones em geral, e uma formação de percussão com caixa ao centro, bumbo (surdo em português do Brasil) e prato a dois, como nas bandas militares, nas fanfarras e nas marching bands americanas. A instrumentação é a base de uma bateria, caixa, bumbo e chimbal (snare, bass drum and Hi-hat) e o desafio para o instrumentista é técnico, sob o ponto de vista da velocidade... 

    "Frevo Pé Trocado" (player acima) é uma composição que fiz e que está em meu CD "Cidades Imaginárias". O frevo é um gênero binário, escrito e dançado em 2/4 e essa composição é em 7/8, o que deu origem ao nome 'pé trocado', imaginando a dança sobre o tempo num compasso e no seguinte no contratempo. Experimente ouvir o ritmo em 7/8 e em 7/4 quando o 'pé trocado' fica evidente e divertido. Há um conceito composicional baseado no contraste entre o caráter ‘tonal’ de uma melodia mais tradicional de frevo e a seção modal de solo tenor ‘free’ do super Vitor Alcântara.

    Na gravação temos Robertinho Carvalho, baixo, Moisés Alves, piano, Celso Marques, flauta e o convidado especial, Mario Afonso III, na flauta pícollo.
    Dediquei essa música ao meu grande amigo, super baterista, Maurício Leite.
    Essa faixa pode ser encontrada no Itunes ou similar. 

    segunda-feira, 7 de novembro de 2011

    Berimbau jazz - Marcelo "Preto" Gomes



    Marcelo Gomes é guitarrista, compositor, professor e grande parte de suas composições estão nos cinco CDs do grupo de jazz brasileiro Terra Brasil, sobre o qual tenho comentado e mostrado algumas faixas para você que acompanha este blog. Samba, baião maracatu e ijexá são ritmos presentes em suas músicas, além de um veio mais latino: sul-americano e caribenho. http://www.myspace.com/marcelogomesguitar

    O berimbau sempre exerceu um fascínio especial sobre meu irmão, Marcelo. Sua composição intitulada "Chino" - disponível no player acima - do CD "Questão de Tempo" é baseada num ciclo modal, onde o baixo toca ostinatos inspirados em toques de berimbau e na gravação eu toquei dois berimbaus afinados: o gunga, berimbau grave de base em (B, si) e o viola, berimbau agudo que gravei em overdub em (E, mi). Ambas as notas são afins com o ciclo harmônico da música e cumprem uma função "pedal" sobre a qual toda a composição acontece... Ele diz que é uma capoeira chinesa, mas até hoje (don’t tell him!), honestamente, não sei bem por que. A música é muito bonita e propõe um conceito que associa a tradição afro-brasileira com o jazz brasileiro contemporâneo.

    Além dos dois berimbaus, usei diversos efeitos como o gongo submerso criado por John Cage, compositor que conheci quando estive envolvido com percussão do século XX, durante meu bacharelado em percussão erudita, na UNESP. Há também seções com de pratos 'crashs' de tamanhos diversos tocados com baquetas macias. Os solos são todos de cordas, guitarra, violão e berimbau sobre o tema final (head out), que tem função híbrida de re-exposição e background para o solo do berimbau viola que é uma idéia muito criativa do arranjo.

    Os Irmãos Gomes em Vitória, ES, 70s
    Marcelo tem um CD solo - lançado pela CPC Umes - "Preto", um trabalho super inspirado, muito bem tocado e que pode ser encontrado em boas lojas por todo Brasil. Ele sempre foi uma fonte de aprendizado musical para mim e é um artista que busca incessantemente os conceitos por trás das estruturas, instigado pelo folclore, pelo jazz e pela música brasileira. É uma sorte e um grande prazer que ele seja meu melhor amigo.

    sábado, 22 de outubro de 2011

    IASJ - Workshop Informal

    O 21º IASJ - International Association of Shools of Jazz Meeting - que tem Dave Liebman como diretor artístico, foi realizado aqui, em São Paulo, onde vivo. Pela 1ª vez o evento foi realizado na América do Sul e trouxe professores da Berklee e estudantes de diversos países. As atividades foram realizadas no Conservatório Souza Lima e o baterista, professor no encontro e meu grande amigo, Carlos Ezequiel me ligou convidando para ir ao encontro final da área de bateria.
    Fui até lá e foi ótimo encontrar amigos queridos como Bob Wyatt e Lupa Santiago e conhecer músicos como John Ramsay, chefe do departamento de percussão da Berklee, e autor dos vídeos abaixo.  Meu livro estava circulando pelo encontro, uma vez que o conservatório, entre muitas outras escolas no Brasil, universidades americanas e européias (pela Ed. Advance Music), o adotou para o ensino de ritmos brasileiros. Em certo ponto do encontro fui apresentado ao presentes pelo próprio Ramsay e gentilmente convidado a falar sobre meu trabalho.

    Compartilho com você um pouco deste encontro descontraído e agradável, onde ouvi diversas considerações interessantes sobre o equilíbrio entre o desenvolvimento técnico e musical na formação de um músico.

    No 1º vídeo abaixo, demonstrei a técnica conhecida como "frigideira", clássica maneira brasileira de tocar samba e ritmos brasileiros em geral, usando o movimento de rotação do braço, sem uso dos dedos, nem pulso (no sentido up and down) e iniciando para direita e retornando para esquerda.

    No 2º vídeo falamos, eu e Carlos, sobre maracatu e demonstrei os baques de arrasto e de marcação, variações de caixa, bumbos e o gonguê - sua conexão com a linha do tarol - que também toco com o pé esquerdo.




    segunda-feira, 10 de outubro de 2011

    Maracatu Jazz: Onde estão os temas? Where are the melodies?



    O maracatu segue sendo uma manifestação muito mais folclórica do que um gênero popular e as canções, em geral, são simples, com dois versos cantados em forma AABB, a 1ª vez cantada pelo mestre e a 2ª respondida pelo coro, ou ainda com trechos quase 'recitados'. Por essa razão há poucos temas conhecidos no repertório popular brasileiro.

    “Maracatu”, de Egberto Gismonti é uma das maiores referências de um tema em ritmo de maracatu. Zé Eduardo Nazário é o baterista da gravação no álbum "Nó Caipira", 1978, e Nenê quem gravou "Sanfona", 1981, reunido em "Sanfona, Egberto Gismonti e Dança das Cabeças", 1986, pela ECM. Cada um toca de maneira muito particular e ambas gravações tornaram-se referências de maracatu na bateria. Sou um profundo admirador destes grandes bateristas e amigos e sugiro que você procure e ouça essas gravações inesquecíveis.

    No player acima você pode ouvir o tema “Questão de Tempo” de CD do mesmo nome do grupo Terra Brasil. Ao lado, Marcelo, Antônio,  Zeli, autor do tema, Vitor e eu. Ricardo Garcia também faz percussão nessa faixa.

    Na bateria, você vai ouvir uma das maneiras que toco maracatu na bateria e também conhecer a 1ª gravação onde usei cowbell no pé esquerdo tocando a linha do gonguê, uma tipo de cowbell do maracatu. Além da bateria, fiz overdub de mais uma caixa e um tarol (caixa mais aguda) tocando algumas de suas frases clássicas da tradição do maracatu, de certo ponto da improvisação até o retorno do tema A.

    Harmonia modal, improvisações, texturas, timbres modernos e as melodias das partes A e B não tem nenhum compromisso com o aspecto melódico do maracatu tradicional. Maracatu jazz é a melhor definição que tenho para este tema, que me lembra o espírito dos ritmos brasileiros numa cidade como NY.

    sábado, 1 de outubro de 2011

    Feiras são grandes encontros – Brasil Expomusic 2011



    Feira é um evento milenar na história do homem. De alimentos, artesanato, carros, música... Barulho, stands (ou barracas), comércio, apresentação de novos produtos, “trocas”, vendas, compras e novas relações comerciais se estabelecem assim como acontecem encontros com amigos e colegas de trabalho.

    A Expomusic brasileira 2011 foi bem movimentada e com todas as características de uma feira acrescida de performances musicais que, em geral, tendem mais a exibições técnicas do que musicais, mas ainda assim divertidas. Eu mesmo toquei no stand da RMV - minha marca de bateria e peles - os play-alongs de meu livro, que estão espalhados pelo YouTube sendo tocados por muitos bateristas, e também toquei solos livres baseados em temas, grooves, ou em alguma “idéia musical”.

    Foi muito bom e gratificante receber o carinho de muitos estudantes, professores e músicos em geral que conhecem e utilizam meu livro, ou conhecem meus CDs e gravações. Fiquei muito feliz ao ver quanta gente tem se beneficiado com meu trabalho didático e outros que acompanham minha carreira musical.

    No player acima você pode ouvir Bluesamba, uma composição minha gravada no 5º CD do grupo Terra Brasil, “Questão de Tempo”, em uma interpretação bem aberta, estilo samba jazz dos anos 60. Nessa gravação fiz solo sobre todo o chorus da música (ciclo de 32 compassos; experimente manter a melodia da música viva cantando-a durante meu solo, pois foi isso que fiz, explorando seus  ritmos, os espaços entre eles e frases de samba que surgiam enquanto eu improvisava), e tem Vitor Alcântara, sax, Antônio Barker, piano, Marcelo Gomes, guitarra e Zeli, baixo acústico.
    Essa música também é um dos play-alongs do “Novos Caminhos da Bateria Brasileira” que toquei na feira.  

    segunda-feira, 19 de setembro de 2011

    Insensatez/How Insensitive in 7/8


    Insensatez é uma bossa nova lenta, uma bossa-balada feita por Tom Jobim e Vinicius de Moraes, que escreveu uma das letras mais bonitas e profundas dessa parceria.
    Originalmente em Bm (Si menor), a composição tem a magia musical e poética de tratar da tristeza e do pesar, sem entristecer, mas emocionar. No CD “Antonio Brasileiro”, o cantor Sting faz uma parceria com um dos maiores compositores da música popular brasileira de todos o tempos, Tom Jobim.

    Originalmente escrita em compasso binário, fiz um arranjo em 7/8, numa combinação 2/4 + 3/8 que surgiu naturalmente em uma época em que eu estudava frequentemente compassos alterados. A nota longa no fim de cada frase musical possibilitava esse trânsito de um forma que me pareceu orgânico. A manutenção da atmosfera “bossa nova”, suave, fluida e sem ‘esforçar’ o 1º tempo a cada 7 bits é também parte essencial do conceito do arranjo. Usei vassourinhas e o Hi-hat em 7/4 a maior parte do tempo. Ouça o player acima.

    Essa gravação foi feita em 1995 no CD “Tudo Bem”, do grupo Terra Brasil que esteve sempre muito presente em minha vida musical. Fizemos 5 CDs de jazz brasileiro em 15 anos de carreira e, em outras oportunidades vou mostrar mais músicas desse grupo que segue vivo em suas gravações. Tivemos nessa gravação a felicidade de ter como convidado Nailor “Proveta” ao clarinete e o que vocês estão ouvindo é o 1º take (1ª gravação) que fizemos assim que ele ouviu qual era a idéia do arranjo.

    A interpretação transcorre como um standard de jazz numa noite informal com introdução, tema, dois chorus (ciclos da própria música) de improviso de clarinete, e trades (alternância de solos entre a bateria e outros instrumentos) de quatro compassos entre a bateria e a guitarra. Observem que os solos de baterias sob ponto de vista musical acontecem em 4 compassos de 7/8 ou em 2 de 7/4, o que matematicamente dura o mesmo tempo.

    Espero que Tom Jobim não tenha ficado bravo e que vocês gostem. Esse CD não está mais no mercado e quem tiver interesse em conhecê-lo melhor entre em contato que posso enviar outras faixas em MP3.
    Abaixo a partitura com melodia, cifras e uma guia para linha de baixo. A tonalidade foi mudada para Dm (Ré menor).


    sexta-feira, 26 de agosto de 2011

    Mágica da Música: Aqui e Agora

    Onde você está? "Aqui". Que horas são? "Agora".

    Ouvi isso no fim de um filme chamado "Peaceful Warrior" e era exatamente assim que me sentia no momento dessas fotos feitas na República Dominicana, em abril, e que chegaram hoje, 26 de agosto de 2011 do Caribe, feitas por Cristiane Grando, amiga, poeta e fotógrafa amadora de fino gosto. Algumas fotos foram feitas por Joanna Garcia.


    Tocar é mágico. Ouvir o que a guitarra está tocando, o piano, o sax, o baixo, a voz, a percussão, ao mesmo tempo, com funções diferentes e desenhando todos juntos uma pintura única, variação sobre um bom tema.

    Concentração total é uma das razões fundamentais porque faço música: não penso quando toco e me silencio  quando, “de fato”, ouço . Dar a vida por cada nota, como diziam os jazzistas pelas estradas americanas, ganhando pouco, sem todo glamour que às vezes se imagina, mas tocando e criando juntos com outros músicos, muitos deles grandes amigos...   

    ...Voltando ao tema, a mágica de fazer música acontece aqui, agora ou com você, em sua cidade, em seu país, com seu grupo, e não só nas estradas do passado do jazz dos anos 40, no hard rock dos 70, na música  impressionista de Debussy dos fins do século dezenove e princípio do século vinte...

    Onde estamos? "Aqui". Que horas são? "Agora".


    segunda-feira, 25 de julho de 2011

    Duo: Eddie Gomez e John Abercombrie

    Assisti a muitos shows em NY entre 2006-10. Muitas vezes eu saí, ainda que sozinho, só para ver ao vivo e de perto um músico de quem eu realmente gostasse, como fiz com Ron Carter, numa noite com muita, muita neve, no fim de 2009. A bota afundava em montes de neve já derretidos por dentro e o pé inteiro, bota e meias ficavam encharcados... Mas tudo bem, essa noite valeu o movimento que fiz e, em geral, quase todas as vezes valeram a pena. John Scolfield com Bill Stweart na bateria, Chick Corea com Airto Moreira e Eddie Gomez, Duduka da Fonseca com Trio da Paz, John Riley - seu jazz groove e seus "acabamentos" impecáveis - com a Viillage Vanguard Big Band e muitas outras gigs mais informais com Brian Blade na bateria, Horacio Hernandez, Jeff "Tain" Watts e vários outros músicos que não são famosos no Brasil...

    Mas esse duo foi algo de muito especial e uma nova referência de "fazer música". Eddie (www.eddiegomez.com) e John (www.johnabercombrie.com; foto: Curtis Burns) tocaram standards de jazz, como "Stella by Starlight", "Just Friends", "Autumm Leaves" e algumas composições do Abercombrie. A informalidade era clara e eles trocavam algumas palavras antes de iniciar as músicas, ora juntos, ora um deles propondo uma introdução em ritmo inesperado. Algumas vezes, John tocava o tema em bloco de forma livre, sem tempo definido, outras Eddie já saía improvisando sobre a música. Soava um quarteto porque ambos usavam a voz: Abercombrie balbuciando o próprio solo e Eddie, com sons diversos, cantando os solos, sons rítmicos, usando um diversidade incrível de timbres e trazendo uma expressividade à música que quase não consigo descrever. 

    A forma como eles se ouviam, as diversas com que reagiam, a busca por texturas, a consciência absoluta da forma das músicas que eles cresceram tocando, mas que reviam, reliam e respeitavam-nas era emocionante. De vez em quando, eu abria meus olhos para ver como Eddie estava conseguindo certos grooves, com que movimento das mãos, usando a voz e com um grau de concentração que, ufff... É claro que, como baterista, seria natural que eu pensasse: "uma bateria ia ficar demais nesse som", mas isso não aconteceu. Eu nunca tinha ouvido Eddie Gomez com toda aquela liberdade tocando músicas que, em geral, eu conhecia, com um super guitarrista que tem um discurso moderno e de notas muito mais "ligadas" do que palhetadas, constrastando ainda mais com os grooves de um baixista acostumado a tocar com Steve Gadd e com todo o espaço mais e mais criativo... Demais!
    Esse é o show do qual mais me recordo em meus quatro anos vivendo em NY.


    quarta-feira, 13 de julho de 2011

    Alex Acuña: A música é um presente divino

    "Reconheçam o presente que é a música. Tenham perseverança e disciplina. Essa última ajuda na formação do caráter do homem que é correto e sabe se comunicar. Saibam amar o próximo, a música, seus instrumentos e sigam seus sonhos firmemente. Pratiquem, escutem todo tipo de música e aprendam um instrumento melódico. A idade não importa, pois a música é um presente divino para os homens”.

    Essa foi a resposta de Alex Acuña a “que dicas você daria para que jovens músicos caminhem rumo ao sucesso pessoal e profissional”, em entrevista que realizei em novembro de 2000, (Batera&percussão nº39) quando era editor da revista... É só por numa moldura e pendurar nas paredes das escolas de música, para inspirar o estudante e ajudá-lo a recordar 'o quê  ele está fazendo ali'.

    Alex Acuña nasceu no Peru e com dezoito anos foi para os EUA com Perez Prado. Depois viveu em Porto Rico e me disse tocar profissionalmente desde os dez anos de idade, percussão e bateria com a “mesma atitude” em suas palavras. Adora música brasileira e sabe como tocar: “quando se gosta de uma música é fácil aprendê-la”, disse.
    O grande marco em sua carreira profissional no universo do jazz norte americano foi o convite de Joe Zawinul para tocar com o incrível grupo Weather Report, em 1975.

    Com o sucesso vieram outros desafios: “vivemos uma vida muito obscura e estive à beira da loucura nessa época, mas felizmente tive olhos para ver e ouvidos para ouvir que Deus queria minha vida para engrandecer sua existência. Se não tivesse “ouvido” não estaria aqui para “ver” tudo isso”, como  aconteceu com Jaco (Pastorius). Perguntei de que forma a religiosidade influenciava sua música e se existia uma religião específica e ele disse: “não é uma religião, mas uma relação. Está no meu coração e só”.

    Alex disse que em casa estuda o que 'não sabe', o que tem de praticar e melhorar. Sobre a nova geração de músicos disse gostar muito de aprender quando surge um jovem músico tocando coisas novas, mas que, por outro lado, não gosta daqueles que imitam os grandes como Steve Gadd ou Dave Weckl. Alex tem grande consideração por Horácio Hernandez (estive com ele e fui super influenciado pela sua concepção de claves e pelo seu amadurecimento ao tocar simples e adequadamente 'quando a música pede' ainda que com todos os seus recursos, mas isso fica para outra postagem...) e Julio Barreto. 

    Tive a oportunidade de me encontrar com muitos bateristas e percussionistas durante essa época e, claro,    recebi coisas boas de todos eles. Naturalmente me encantei mais com uns do que com outros, e assim são os encontros entre pessoas. Encontrar e conviver por algumas horas com Alex Acuña foi uma experiência diferenciada, sem a vaidade e o orgulho presentes em todos nós em maior ou menor grau. Foi um contato profundo e da qual sempre me recordarei.
    Abaixo um vídeo com Acuna, Hoff, Mathisen Trio e outro 'quebrando tudo' em instrumentos de percussão e chegando até a bateria.





    quarta-feira, 6 de julho de 2011

    Big Band da Fundação das Artes!!!

    Logo depois que cheguei dos Estados Unidos, em 2010, a Fundação das Artes de São Caetano do Sul, aonde trabalhei durante toda década de 90, me convidou para dirigir a sua Big Band, o que foi muito legal porque pude praticar exatamente o que havia estudado no mestrado com um grupo heterogêneo, estudantes e profissionais, populares e eruditos e músicos com diferentes níveis de experiência. 
    Familiarizar o grupo com os gêneros que estávamos tocando e buscar a "pronúncia" das notas no swing correto foram nossos primeiros passos. Em seguida, os naipes tinham de desenvolver "uma voz" afinada e que caminhasse com passos de mesma duração e com uma intenção clara que começa antes da emissão da nota. Dinâmicas, 'crescendos' e 'diminuendos' foram sendo conquistados e a consciência do “foco” foi sempre um dos objetivos. Questões como: o que está acontecendo agora no grupo e qual a minha função? Meu instrumento é melodia, back-ground, está dobrando outro instrumento ou está em bloco? Se minha linha está em bloco, que voz do acorde ela está tocando? Qual a melhor levada para esta seção, que tipo de fill vai ajudar a banda a ficar mais confortável?.....
    Acho que eu estimulei esse espírito de busca em parte do grupo, o que já é uma alegria. 

    Da minha parte, além do compromisso em melhorar continuamente, liderar com gentileza, equilibrar seriedade musical com o bom humor pessoal é como entendo que deva ser conduzido um trabalho, qualquer que seja ele.Trabalhar com a "Big da Fundação" me ajudou a reencontrar alguns referenciais e uma certa alegria que havia se perdido em algum lugar, em algum momento, entre um e outro país. O astral entre eles é leve e divertido, o ambiente da escola é muito bom, sem falar no fato que estou de volta ao meu país, minha cultura, e falando minha língua...
    Abaixo duas peças tocadas pela "Big da Funda" em 21 de junho, 2011: "Maracatu-Check This Out", que fiz algum tempo atrás e "Aquela Coisa", Hermeto Pascoal, arranjo Felipe Salles, sax tenor solista convidado deste concerto.